A ASSINATURA DE DEUS
Allan Ribeiro
Ao olhar para a contemporaneidade de nossa
sociedade, é fácil perceber que, de algum modo, tudo está polarizado entre bem/mal,
fato/valor, público/particular, sagrado/profano. Todo esse dualismo que há tempos
opera na mente humana, fez com que o cristão se afastasse de todos os âmbitos
da sociedade, deixando de opinar ou mesmo legislar sobre assuntos que não se
relacionassem com a religião. Deixamos de produzir arte, ciência, política e
tudo o mais, relegando ao cristianismo uma posição indevida, permitindo-lhe não
ser relevante, fazendo com que nos esquecêssemos da capacidade de o Evangelho interagir
sobre todos os aspectos da vida humana.
A polarização presente na mente de grande
parte da população viabilizou a nós, cristãos, por medo de “contaminação com o
mundo”, a distorção do que foi dito pelo apóstolo Paulo, em Romanos 12. Isso
fica claro, pois, mesmo frequentando reuniões e cultos dentro de nossas
igrejas, não tivemos a nossa mente transformada; pelo contrário, permitimos a
ela o molde de padrões contrários aos ensinamentos bíblicos e, assim,
trancafiados em nosso “mundo gospel”, perdemos nosso valor perante a sociedade.
Pior que isso, foi-nos tomada à força a chance de “explicar o mundo” através
das lentes do Cristianismo.
Sob os dogmas do naturalismo científico, toda
a cosmovisão da cultura Ocidental vem se moldando e construindo, de maneira a
estabelecer um abismo crescente entre a Igreja e o mundo fora dela, ficando
cada vez mais claro que um Pastor ou Teólogo não têm o que dizer sobre a vida,
a cultura e tudo o que a cerca.
É óbvio que todo esse movimento não foi
apenas no sentido de sermos relegados a assuntos religiosos. Foi também um movimento
de recuo, em que declinamos do direito de falar sobre vida. Tornamo-nos peritos
na “salvação de almas”, mas perdemos a noção de como interpretar o mundo a
partir de conceitos que funcionem como lentes bíblicas em qualquer área da vida
humana, seja ela ligada à economia, à ciência, à arte, à política ou às leis.
Como, então quebrar esse paradigma? Cumprindo
exatamente aquilo que Paulo nos propôs em Romanos 12.02, uma vez que a mudança
de mente precisa começar em nós, cristãos. Isso dará inovação àquilo que já
produzimos, passando também por um novo comportamento relacionado àquilo que
não fazíamos por entendermos ser nosso envolvimento exclusivo à vida religiosa.
Como na Sequência de Fibonacci, a Palavra
deve produzir crescimento e mudança profunda em nossa maneira de ver o
Cristianismo e, ainda mais, na sua relação com a vida em todos os seus
aspectos. Uma vez conseguido isso, nossa cosmovisão cristã será como a
Proporção Áurea, revelando algo belo e relevante a partir de um centro sólido
que são nossas igrejas, irradiando um novo arquétipo para toda a Sociedade, de
modo a alcançar toda e qualquer área que deixamos para trás.
O Número de Ouro nos chama a atenção, ainda
que não saibamos de sua existência. Ele está presente na beleza do girassol, na
estrutura de uma colmeia, no desabrochar da rosa e até no formato dos livros
que tanto nos fascinam. Assim também deve ser nossa reposta ao evangelho,
fazendo com que ele permeie toda vida da sociedade, trazendo estrutura, beleza
e racionalidade para a existência humana e tudo o que a cerca.Vídeo sobre a Proporção Áurea